Mais que contar as horas
No começo, eu falava do jejum pensando apenas no relógio. Quanto falta? O que vou comer depois? Durante um Ramadã, uma amiga me perguntou o que eu gostaria de mudar no modo como tratava as pessoas. A pergunta ficou comigo mais tempo que a fome. Passei a notar a impaciência com que respondia em casa e a facilidade com que ignorava necessidades alheias.
A disciplina do mês não me tornou perfeita. Ela tornou algumas escolhas mais visíveis. Quando chegava a hora de quebrar o jejum, a mesa parecia maior se eu lembrava de quem não tinha a mesma segurança para jantar.
Uma mesa que alcança mais gente
Comecei a separar parte do que podia oferecer e a perguntar antes de decidir do que outra pessoa precisava. Repartir não é gesto para render uma boa história; é uma responsabilidade que continua depois da celebração.
Guardo do Ramadã essa combinação de interioridade e vínculo. Há oração, leitura, comunidade e também tarefas muito concretas. Se a experiência me devolve ao mundo mais atenta, então ela continua fazendo sentido para mim quando o mês termina.

Danilo Magalhães@danilo
Mariana Diniz MariPerfil Zamira
Liana Marques@lilith
Chistine Morton@christine
Angela Silveira@angela
Victoria Moreira@vic
Mirela Fernandez@mila
Ruane Davila@ruene
Marina Assis@bruxa