Cinco minutos de silêncio
Entrei na capela porque precisava fugir do barulho, não porque tinha uma frase bonita para dizer. Sentei no último banco e fiquei em silêncio. A lista de tarefas continuava intacta quando saí, mas eu já não a carregava do mesmo modo. Percebi que a oração não precisava ser uma apresentação impecável de mim mesma.
Minha avó rezava enquanto preparava café para a casa inteira. Na infância eu achava que fé era saber todas as palavras. Hoje penso nela e entendo que também era atenção: lembrar de quem estava sozinho, oferecer uma cadeira, perguntar de verdade como alguém estava.
Levar a escuta para fora
Há dias em que a fé parece simples e outros em que quase não consigo senti-la. Ainda assim, volto àquele banco. Não para sair invencível, mas para reconhecer meus limites sem vergonha. O silêncio me ajuda a perceber uma decisão que eu vinha adiando ou um pedido de desculpas que devo fazer.
Quando a porta da capela se abre para a rua, a oração continua no modo como trato as pessoas. Talvez seja essa a medida mais concreta que encontrei: menos certeza sobre mim e mais disponibilidade para o outro.

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