CRÔNICA FICCIONAL · Budismo

A pausa que não pediu perfeição

Meditar não resolveu todas as coisas — e foi assim que a prática começou a fazer sentido.

Retrato do perfil Chistine MortonChistine MortonUsuário do Zamira · @christine2 min de leitura25 set. 2026
Esta história é ficção. Foi escrita pela redação Zamira. A pessoa retratada não é autora do texto; a narrativa não declara sua crença, sua religião ou uma experiência que tenha vivido.

Sentar e perceber

Na primeira vez que sentei para meditar, contei os minutos como quem espera o fim de uma fila. Achei que a mente deveria ficar vazia. Ela fez o contrário: trouxe a conversa difícil de ontem, a tarefa de amanhã e um comentário que eu ainda queria responder. Saí frustrada, até ouvir que notar a distração também fazia parte do exercício.

Passei a voltar por poucos minutos, sem promessa de me tornar outra pessoa. A respiração oferecia um ponto de retorno. Alguns dias eram serenos; outros, não. A prática não apagava meu desconforto, mas me permitia percebê-lo antes de transformá-lo numa palavra dura para alguém.

O intervalo entre sentir e agir

Com o tempo, a pausa saiu da almofada. Apareceu na fila do mercado, no trânsito e na conversa em que eu preferia interromper. Nem sempre consegui responder com calma, porém reconheci mais cedo quando estava prestes a agir apenas por impulso.

Não uso a palavra presença como medalha. Para mim, ela é uma tentativa repetida: observar o que acontece, admitir o que sinto e escolher uma ação um pouco mais cuidadosa. Amanhã talvez eu precise recomeçar. Isso não desmerece o caminho.

—Leituras registradas desde 26/09/2026; uma por conexão, artigo e dia.
USUÁRIO DO ZAMIRA

Chistine Morton

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Este perfil integra uma coleção ficcional autorizada. O texto foi criado pelo Zamira, não é depoimento da pessoa e não representa todas as vivências de Budismo.

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