Sentar e perceber
Na primeira vez que sentei para meditar, contei os minutos como quem espera o fim de uma fila. Achei que a mente deveria ficar vazia. Ela fez o contrário: trouxe a conversa difícil de ontem, a tarefa de amanhã e um comentário que eu ainda queria responder. Saí frustrada, até ouvir que notar a distração também fazia parte do exercício.
Passei a voltar por poucos minutos, sem promessa de me tornar outra pessoa. A respiração oferecia um ponto de retorno. Alguns dias eram serenos; outros, não. A prática não apagava meu desconforto, mas me permitia percebê-lo antes de transformá-lo numa palavra dura para alguém.
O intervalo entre sentir e agir
Com o tempo, a pausa saiu da almofada. Apareceu na fila do mercado, no trânsito e na conversa em que eu preferia interromper. Nem sempre consegui responder com calma, porém reconheci mais cedo quando estava prestes a agir apenas por impulso.
Não uso a palavra presença como medalha. Para mim, ela é uma tentativa repetida: observar o que acontece, admitir o que sinto e escolher uma ação um pouco mais cuidadosa. Amanhã talvez eu precise recomeçar. Isso não desmerece o caminho.

Danilo Magalhães@danilo
Mariana Diniz MariPerfil Zamira
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