CRÔNICA FICCIONAL · Umbanda

No terreiro, aprendi a chegar devagar

Uma crônica sobre acolhimento, respeito e a responsabilidade de ouvir antes de contar a história do outro.

Retrato do perfil Liana MarquesLiana MarquesUsuário do Zamira · @lilith2 min de leitura25 set. 2026
Esta história é ficção. Foi escrita pela redação Zamira. A pessoa retratada não é autora do texto; a narrativa não declara sua crença, sua religião ou uma experiência que tenha vivido.

A porta aberta

Eu tinha ouvido falar do terreiro por pessoas que nunca haviam entrado em um. Na primeira visita, decidi trocar a curiosidade apressada por uma atitude mais simples: observar, perguntar quando fosse apropriado e aceitar que nem tudo me pertencia. O acolhimento que recebi não me deu o direito de transformar aquela casa numa explicação fácil para os outros.

Lembro do cuidado com quem chegava nervoso, da conversa sem pressa e da maneira como cada pessoa encontrava seu lugar. Foi ali que percebi a distância entre falar de respeito e praticá-lo. Parte dessa prática é não repetir caricaturas que circulam sobre religiões de matriz africana.

Cuidado também é linguagem

Voltei outras vezes. Aprendi que uma casa religiosa tem pessoas, responsabilidades e modos próprios de existir; não é cenário para minha descoberta pessoal. Prefiro dizer o que senti sem fingir que uma experiência me autoriza a falar por toda a Umbanda.

Quando alguém me pergunta sobre aquele caminho, conto primeiro como fui recebida e depois indico que conheça vozes de dentro da tradição. Escutar sem tomar posse talvez seja uma forma discreta de gratidão.

—Leituras registradas desde 26/09/2026; uma por conexão, artigo e dia.
USUÁRIO DO ZAMIRA

Liana Marques

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Este perfil integra uma coleção ficcional autorizada. O texto foi criado pelo Zamira, não é depoimento da pessoa e não representa todas as vivências de Umbanda.

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