A porta aberta
Eu tinha ouvido falar do terreiro por pessoas que nunca haviam entrado em um. Na primeira visita, decidi trocar a curiosidade apressada por uma atitude mais simples: observar, perguntar quando fosse apropriado e aceitar que nem tudo me pertencia. O acolhimento que recebi não me deu o direito de transformar aquela casa numa explicação fácil para os outros.
Lembro do cuidado com quem chegava nervoso, da conversa sem pressa e da maneira como cada pessoa encontrava seu lugar. Foi ali que percebi a distância entre falar de respeito e praticá-lo. Parte dessa prática é não repetir caricaturas que circulam sobre religiões de matriz africana.
Cuidado também é linguagem
Voltei outras vezes. Aprendi que uma casa religiosa tem pessoas, responsabilidades e modos próprios de existir; não é cenário para minha descoberta pessoal. Prefiro dizer o que senti sem fingir que uma experiência me autoriza a falar por toda a Umbanda.
Quando alguém me pergunta sobre aquele caminho, conto primeiro como fui recebida e depois indico que conheça vozes de dentro da tradição. Escutar sem tomar posse talvez seja uma forma discreta de gratidão.

Danilo Magalhães@danilo
Mariana Diniz MariPerfil Zamira
Chistine Morton@christine
Angela Silveira@angela
Alexa Long@alexa
Victoria Moreira@vic
Mirela Fernandez@mila
Ruane Davila@ruene
Marina Assis@bruxa