A pergunta que ficou
Passei muito tempo fingindo ter certezas que não tinha. Nas conversas sobre fé, respondia depressa para não parecer perdido. Até que uma noite, voltando do trabalho, parei numa praça e percebi quanto esforço eu fazia para vencer uma discussão que ninguém havia começado. O céu não me deu uma resposta. Deu-me espaço.
Não me tornei indiferente. Continuo interessado no que as pessoas creem, nos motivos que as sustentam e nos gestos que nascem dessas convicções. Apenas parei de tratar a dúvida como defeito de caráter. Para mim, ela se tornou uma forma de cuidado com a verdade e com quem enxerga o mundo de outro jeito.
Escutar antes de concluir
Hoje faço perguntas melhores. Quando alguém me fala de uma oração, pergunto o que ela mudou em seu dia. Quando alguém diz que não crê, pergunto que valores orientam suas escolhas. Nem toda conversa precisa terminar em consenso para ter valido a pena.
Minha prática é menos visível que um ritual: ler com atenção, admitir quando não sei e não reduzir uma pessoa à resposta que ela dá sobre Deus. Há noites em que ainda gostaria de uma certeza absoluta. Na manhã seguinte, descubro que a honestidade também pode ser um começo.

Mariana Diniz MariPerfil Zamira
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